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MUSICOTERAPIA NO ENFRENTAMENTO DO ALZHEIMER

  Publicado em 10/08/2017

Por VALÉRIA PACHECO*

Por VALÉRIA PACHECO*

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa associada à idade causada pela morte de células cerebrais, manifestando-se pela perda de funções cognitivas como a memória, orientação, atenção, aprendizado, linguagem e de capacidades mais refinadas e profundas como as de avaliar, prever e planejar.

A incapacitação provocada  pela doença interfere no comportamento, na personalidade e nas relações sociais do doente levando-o a dependência total e, nos casos mais graves, até para as tarefas rotineiras como higiene pessoal e alimentação.

Como não há cura para o Alzheimer o diagnóstico precoce é importante para se tentar preservar ao máximo as capacidades intelectuais oferecendo tratamentos e opções para promover qualidade de vida aos pacientes.

Tratamentos farmacológicos e terapêuticos como as sessões de Musicoterapia têm sido recomendados pelos neurologistas por comprovarem eficácia e por retardarem os sintomas.

Em seu livro “A Música e o Cérebro”, Oliver Sacks escreve que a música pode “acordar a alma escondida e evocar respostas pessoais de memória, associações, sentimentos, imagens, a volta do pensamento e da sensibilidade”.

 

O QUE A MUSICOTERAPIA FAZ?

 

A Musicoterapia utiliza o repertório de músicas afetivas e preferenciais do paciente buscando estimular a memória, reorganização da estrutura do pensamento, orientação espaço-temporal, diminuição do isolamento social e afetivo, da agitação ou apatia, irritabilidade e agressividade.

No trabalho com a Musicoterapia, o profissional pode ser indicado por um neurologista, pelo médico da família ou através da Associação de Musicoterapia da região.

O musicoterapeuta iniciará o trabalho fazendo uma Ficha Musicoterápica (conjunto de informações sobre o histórico musical do paciente, envolvendo tipos de músicas e preferências musicais da infância, adolescência  e idade adulta), com o paciente ou familiares ou responsáveis que possam relatar as informações necessárias para preencher essa ficha.

De posse das informações e datas referentes, é possível formular históricos musicais onde as canções e melodias afetivas serão a base para o trabalho musicoterapêutico.

Nesse contexto o musicoterapeuta deverá estreitar o vínculo com o paciente tornando-se um amigo em potencial e alguém que traz momentos de alegria e prazer com a música.

 

COMO A MUSICOTERAPIA ATUA?

 

Aos primeiros contatos com pacientes com Alzheimer é possível constatar a enorme carência que esses idosos demonstram. Quando ainda conseguem verbalizar suas necessidades é uma maravilha, porém o vocabulário fica restrito a cada dia e a dificuldade para manterem um raciocínio lógico e um diálogo fluente se torna cada vez mais raro.

A falta de comunicação vai isolando os idosos do convívio social e familiar e esses passam a não reconhecer mais filhos, netos e esposos. Seus contatos diários se resumem aos cuidadores e empregados da casa.

Para a atuação, o profissional utilizará as técnicas musicoterápicas, dispondo de vários instrumentos de percussão na sala de atendimento. Algumas técnicas podem evocar jogos simples com as notas musicais despertando criatividade, repetir ou harmonizar trechos musicais formulados por eles por improvisação, preparar pequenas coreografias para serem imitadas acompanhando músicas divertidas, improvisar com instrumentos, estimular o aprendizado de novas canções trocando as letras para melodias antigas - Paródia, acompanhar com instrumentos de percussão para um trabalho rítmico, constituem estratégias para se trabalhar em uma sessão de Musicoterapia.

Os pacientes com Alzheimer passam por fases e etapas da doença como agitação, confusão, apatia, agressividade, ansiedade, depressão e esquecimentos paulatinos – comportamentos que se alternam em diferentes pessoas. É importante estar preparado para saber lidar com esses estágios e os humores que os desencadeiam.

 Na maioria dos casos e dependendo do estágio dos envolvidos, os pacientes gostam de tocar ou manusear um instrumento. Se já têm alguma familiaridade com algum instrumento, é importante que sejam estimulados a tocá-lo enquanto conseguem. A alegria por tocar, cantar e se expressar através de músicas de sua preferência é incontestável e eles se realizam pelos feitos.

A Ansiedade transtorna o paciente e faz com que a concentração e o humor fiquem totalmente comprometidos. Muitas vezes, só a música consegue tirá-los desse padrão. Nesses casos o musicoterapeuta pode utilizar de estratégias como mecanismos de distração lançando mão de melodias com harmonias simples e expressivas.

A Agressividade, a Depressão e apatia são melhores trabalhadas com a maneira de tocar os instrumentos, dessa forma consegue-se restabelecer a conexão com o paciente. Músicas lentas e melancólicas para os depressivos e rápidas e alegres para os agitados.

Os esquecimentos são notados através da fala interrompida, raciocínio embotado, o olhar perdido e sem foco, desconhecimento dos familiares e amigos. A repetição das melodias se fará necessária para a conexão e para despertar associações passadas estimulando a verbalização.

 

É POSSÍVEL PREVENIR A DOENÇA?

 

Ficar atento aos sinais e sintomas que vão comprometendo e interferindo na vida diária é importante como prevenção das demências. Aceitar e procurar ajuda são os primeiros passos no enfrentamento desses males.

Cada vez mais pessoas têm solicitado a Musicoterapia como auxílio e prevenção aos males das demências senis, especialmente o Alzheimer.

O prazer de poder cantar, tocar, criar, improvisar, ouvir e se deliciar com boa música, integrar grupos terapêuticos melhorando as relações interpessoais, aprender novas melodias, sentir que está ativo e atuante em uma sociedade dinâmica, trabalhar a cognição, concentração e a memorização, entre outras atividades é muito prazeroso.

 

CONCLUSÃO

 

O trabalho musicoterapêutico tem, comprovadamente, apresentado respostas positivas no enfrentamento da demência de Alzheimer.

Com o aumento da expectativa de vida, cada vez mais os idosos irão necessitar de atendimento para os comprometimentos que a senilidade traz. Os profissionais da Musicoterapia serão procurados para atender essas demandas crescentes.

Atuar com esses pacientes, propor sessões alegres e dinâmicas, divertidas e funcionais, acompanhá-los nessa trajetória sofrida e entender suas inseguranças e transtornos faz de nos, musicoterapeutas, aliados importantes para os pacientes e seus familiares.

 

* Graduada em Piano pela UFG (Universidade Federal de Goiás);Especialista em Musicoterapia pela ESCS (Escola Superior  de Ciências da Saúde do Distrito Federal); Trabalha com idosos no curso“Musicoterapia no processo de Alzheimer”; Trabalha com “Projeto de Musicalização para crianças e jovens carentes”, em Paranoá e Itapuã – DF; e é Membro da Diretoria da Associação de Musicoterapia do Distrito Federal – AMT-DF.

 

 

 





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